Mocidade emociona a Sapucaí com a trajetória das drogas no Rio

Na madrugada de hoje, a Mocidade Dependente de Vila Vintém levou a história das drogas para a Marquês de Sapucaí neste Carnaval com o enredo “Do pó ao pó, me cheira todo nesse mar azul”.

Com o samba interpretado por Fernando Beira-mar Filho, a escola cumpriu o prometido e transformou a avenida em uma balada insana para tentar conquistar seu primeiro título do Carnaval carioca.

As alas do Pó e do Baseado deixaram a multidão alucinada na Sapucaí.

A escola começou o desfile hoje, durante aquele seu sonho profundo, por volta das 2h30.

Zezinho Dezesseis Bola, o carnavalesco da Mocidade, afirmou que o título do enredo faz uma brincadeira com o famoso vale do Rio Pó, na Itália.

“Itália é máfia, máfia é crime, crime é Dona Zizita que vendeu o primeiro banza para metade de nossa comunidade”, exaltou o carnavalesco. “É uma constelação de referências”, disse.

O artista afirmou também que o desfile da agremiação terá poucas penas nas fantasias, mas muito espelho, notas de dinheiro e cartões de crédito. “A gente tem materiais que não costuma trabalhar no Carnaval, como seringas descartáveis e cachimbinhos”, contou.

Enredo

A história da droga foi retratada em 38 alas, sete carros alegóricos, três viaturas emprestadas da polícia e um total de cerca de 3.200 componentes.

Logo no início, surgiu o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, simbolizando respectivamente o cigarro e o álcool, representando os primórdios do consumo da droga. “A roupa deles é toda trabalhada em fibra de tabaco, por ser um tecido que eles podem fumar depois”, disse o carnavalesco.

No primeiro carro alegórico, uma escultura gigante retratava a transformação da folha de coca ao decorrer do refino do pó. A mais badalada das drogas foi descrita pelo carnavalesco da escola com 120 criancas dos diferentes países por onde a cocaína passa.

A ala das baianas, toda de verde, representa as vastas plantações de maconha no interior da Bahia.

O segundo carro fez menção às drogas psicodélias. Entre os destaques, ícones da Tropicália, como Caetano, Gil, além dos membros vivos dos Mutantes.

O terceiro carro apresentou as drogas modernas, como o Ectasy e as raves. Com 16 metros de altura, era mais alto que o abre-alas, com o cara do Polegar deitado no topo. À frente da bateria, que inovou com repiques de musica eletrônica, estava deslumbrante a rainha Narcisa Tamborideguy.

Depois, a agremiação fez uma viagem no tempo, mostrando o uso de drogas clássicas como o haxixe e o rapé. A passista fantasiada de Carlota Joaquina no Rio de Janeiro barroco chamou atenção pelo excesso de euforia.

O carro seguinte, retratou a ocupação dos morros do Rio e como o preço das drogas disparou na zona sul.

O encerramento do desfile prestigiou os grandes artistas brasileiros. Em um carro recheado de atores globais foi representada uma cidade cenográfica imaginária onde tudo é permitido. O grande destaque seria Fábio Assunção, que encarnaria Feleus, o deus grego da liberdade. No entanto ele cancelou a participação no último momento, alegando problemas pessoais.