Minhocão receberá o Aerotrem

O Aerotrem Minhocão dará nova utilidade à via elevada e modernizará o transporte coletivo no Centro.

O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab recuou e desistiu de aprovar o projeto municipal que previa a demolição do elevado Presidente Costa e Silva, o popular Minhocão.

Em vez de colocar o Minhocão abaixo, a prefeitura decidiu finalmente implantar um antigo desejo de consumo do paulistano: o Aerotrem.

Idealizado na década de 60, o Minhocão é a via de 3,4 quilômetros que liga a região central à zona oeste da cidade. O elevado saiu do papel graças ao ex-prefeito e ex-detento Paulo Maluf em 1969, levou 11 meses para ser concluído e consumiu 37 bilhões de cruzeiros antigos.

Desde seu construção até hoje, o Minhocão sempre foi alvo de muitas críticas, em especial pelo transtorno causado aos moradores da região.

“Eu não consigo assistir minhas novelas da tarde e sempre me pego contando carros pela janela, uma loucura, hoje mesmo já contei mais de 2 mil”, contou dona Luiza Escobar, que mora na região.

Já a auxiliar de limpeza Jucileine Pimentel, pensa o contrário. “Se tirarem os carros da minha janela, vou me sentir abandonada, isso faz parte da minha vida”, comentou temendo a solidão de não receber mais paqueras dos motoristas nos horários de pico do trânsito.

Dividido pelas opiniões, Kassab optou por vetar a circulação dos carros e utilizar a estrutura para o Aerotrem, beneficiando a população que utiliza o transporte coletivo.

O Aerotrem é um monotrilho pouco ruidoso constituído por um único carril e movido por energia elétrica. Foi criado pelo então candidato Levy Fidélix na década de 90, quando concorreu pela prefeitura de São Paulo.

Quando inventou o Aerotrem, Fidélix marcou sua campanha pelo jingle: “Vem, vem, vem, vem que tem, Levy Fidélix é homem do Aerotrem!”. Ao saber da notícia, o agora candidato Levy ficou bastante emocionado. “Eu sabia que estava certo, era uma questão de tempo para o povo reconhecer os benefícios desta grande modernidade, foi tudo idéia minha, viu?”, declarou.

Ainda sem definir o valor da passagem, o Secretário de Turismo do município Eduardo Bonatto foi categórico ao anunciar o projeto. “Vai custar um pouco mais que o trem convencional afinal será possível contemplar o visual do Centro de São Paulo todo pelo alto. É o transporte de massa aliado ao turismo”, comentou

As obras, que devem durar 16 anos, estão marcadas para começar no 2º semestre e custarão cerca de R$ 28 milhões de reais.

Além do Aerotrem Minhocão, a assessoria de imprensa da prefeitura comunicou que outros 2 projetos de Aerotrem estão em fase de estudos. O primeiro deverá refazer o trajeto do Rodoanel e o segundo beneficiará a região do Brooklin, aproveitando a estrutura da Ponte Estaiada.