Médiuns analfabetos usarão iPad para psicografar

O iPad da Apple tornou-se um recurso importante para ampliar o contato com o além no Brasil.

Por conta do sucesso do filme “Chico Xavier”, que bateu recordes de bilheteria Brasil afora, uma consultoria especializada em assuntos religiosos realizou pesquisa para avaliar o desempenho dos médiuns no Brasil.

Entre os resultados da análise, a informação que mais se destacou é a de que o analfabetismo atinge números alarmantes dentro da classe mediúnica, chegando a quase 37% dos profissionais.

Segundo o estudo, a falta de instrução tem prejudicado não só a qualidade, mas também a quantidade de cartas psicografadas.

“Isso realmente nos deu um susto”, afirmou Guilherme Batatas, responsável pelo estudo. “O médium é um profissional cuja habilidade da escrita deveria ser encarada como obrigatoriedade. Mas, infelizmente, esse não é retrato que encontramos da situação”, lamenta.

“O cerne da questão é que a mediunidade não acontece apenas para pessoas letradas. Este é um dom que pode acontecer tanto para um analfabeto quanto para um médico ou advogado”, completou Batatas.

Para não deixar seguidores do espiritismo sem mensagens de seus entes queridos e também evitar que estas mensagens tenham erros de Português, a Federeção Espírita do Brasil encomendou cerca de 3 mil iPads de 32 Gb para serem distribuídos entre seus principais médiuns.

“Soubemos que os programas deste aparelho conseguem corrigir a grafia das palavras, então vamos oferecê-los a nossos médiuns, e esperamos que todos voltem a psicografar com perfeição”, afirma João Hugo do Nascimento, assessor para assuntos tecnológicos da Federação.

Participante da pesquisa, a dona de casa Maria Euzira de Palhares crê que essa revelação da pesquisa faz muito sentido. “Tentamos contato com meu filho Antônio, que passou para o outro lado quando tinha apenas 3 anos, por conta de uma doença”, relatou.

“Quando recebemos a carta psicografada, eu não entendi bulhufas, mas achei que aquilo seria normal, afinal de contas, o Antonio era muito pequeno para saber escrever algo. No entanto, quando recebi uma mensagem de meu pai, com a grafia também completamente incompreensível, estranhei. Agora entendo o porquê disso. Nunca passou pela minha cabeça que o problema poderia ser do médium, que não sabia escrever”, contou Maria.

A AMPC, Associação de Médiuns e Psicografistas do Brasil, vai apurar como o estudo foi realizado e se, de fato, os resultados que ele aponta estão corretos. Em caso afirmativo, vai promover uma forte ação de reeducação da escrita junto aos profissionais.

“O que não se pode negar é que o médiun só escreve aquilo que ele recebe. Se um dia a Carla Perez morrer, ela certamente continuará escrevendo escola com “i” ao invés de “e”. Isso não pode ser encarado como culpa do médium”, analisou o diretor da AMPC, que preferiu não se identificar.

“O próprio Vicente Matheus, falecido ex-presidente do Corinthians, quando resolveu se comunicar com Dona Marlene, continuava dizendo que no céu tinha Antarctica à vontade, todas oferecidas pela Brahma”, justificou.

Neste ponto, a Apple já se manifestou dizendo que o seu produto não tem como corrigir erros de informação, mas apenas de grafia. Ou seja, pelo menos todos já sabem que baixa inteligência e analfabetismo não são problemas que se resolvem pós-túmulo. Outra lição que todos tiram dessa história é que a Apple se acha Deus, mas neste caso, nem Deus nem a Apple salvam.