Índios yanomami se comprometem a parar de dançar em março

A dança da chuva será feita até março, quando os indíos retomarão os bloqueios de rodovias.

Líderes de sete aldeias de índios yanomami de Roraima comprometeram-se nesta sexta-feira a encerrar no mês de março seus rituais de dança da chuva.

Habitantes seculares da Amazônia brasileira, os yanomamis realizam anualmente danças que atraem as condições climáticas perfeitas para a agricultura local.

Com negociação direta do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, o governo federal conseguiu obter dos indígenas uma carta-acordo impedindo a realização de novas danças.

Os ritos iniciam sempre no final de dezembro e encerram-se quando a lavoura irrigada começa a germinar. O ministro Coelho acredita que as danças têm relação direta com as chuvas que assolam os estados como Rio de Janeiro e São Paulo.

“É uma tradição da gente nossa, é muito difícil para nossa gente parar agora”, contou um pajé que não conseguiu se identificar. “Nossos curumins aprendem desde cedo a balançar os gravetos e a pisar forte no chão para chamar as águas sagradas do céu”, explica

Especialistas acreditam que a globalização tem parcela de culpa nas chuvas que atingem o país todo.

“Com o advento da internet e o encurtamento das distâncias entre os povos, os rituais indígenas realizados no norte do país têm cada vez mais efeitos sobre o sudeste civilizado”, explica Artur Bartolomeu Antunes, superintendente da Funai.

Os índios concordaram em interromper o ciclo de chuvas apenas em março, mas prometeram dançar com menos intensidade nas próximas semanas.

“Mas já aviso que mim vai voltar a dançar em dezembro, porque mim precisa comer”, explicou o pajé.