Crise: Gregos vão às ruas por royalties da Matemática

Dezenas de gregos foram às ruas de Atenas na manhã desta quinta-feira para demandar a cobrança de royalties sobre princípios da matemática de origem grega.

O protesto foi convocado por acadêmicos e estudantes como forma de encontrar uma resposta para o problema da grave crise econômica que a Grécia vive hoje.

Durante a manifestação, jovens encapuzados atacaram policiais com pedras e axiomas, que responderam com bombas de gás lacrimogênio.

Entre as exigências dos protestantes está o licenciamento de teoremas, métodos e postulados para qualquer país que desejar mantê-los em seus programas educacionais.

O movimento também pede, entre outras medidas, a cobrança de licença sobre todas as aulas que contiverem elementos da Geometria Euclidiana como a reta e o círculo.

Como a matemática clássica grega floresceu do século 6 AC ao século 5 DC, a Grécia arrecadaria cerca de 430 bilhões de euros durante o próximo ano letivo. O valor seria mais que suficiente para cobrir as dívidas do governo grego, estimadas hoje em 300 bilhões de euros, correspondente a 113% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

“É inadmissível que escolas do mundo todo utilizem nossas fórmulas sem pagar nada por isso”, afirma Stavros Papadakis, 42, presidente da União de Estudantes Gregos.

Segundo Papadakis, com o dinheiro vindo do Teorema de Tales, que descreve que um ângulo inscrito em um círcuclo é um ângulo reto, a Grécia conseguirá refinanciar 80% de sua dívida interna.

A imposição mais polêmica dos gregos é a cobrança de 5 centavos de euros sempre que o Teorema de Pitágoras for utilizado em qualquer lugar do planeta. Dessa forma, cada vez que a soma dos quadrados dos catetos for usada para calcular o quadrado da hipotenusa, a Grécia receberia dezenas de milhões de euros em royalties.

Outra reinvidicação controversa é o registro dos direitos autorais sobre o Pi. Com isso, todas as fórmulas matemáticas teriam que incluir o símbolo de marca registrada ® toda vez que o for exibido.

Em Portugal, outro país que também enfrenta forte crise econômica na Europa, os lusos devem promover manifestações semelhantes. No entanto, analistas acreditam que os royalties sobre o Fado e Pastel de Belém não provocariam impacto significante na economia mundial.