Fábrica chinesa de iPads promete abolir bola de ferro e termo anti-suicídio no Brasil

Operários na China têm horários de trabalho e condições diferenciadas

Conhecida pelas condições de trabalho oferecidas aos seus empregados na China, uma importante parceira da Apple está costurando os últimos detalhes para instalar uma fábrica em Jundiaí, no interior de São Paulo. Ao que tudo indica, a subsidiária chinesa irá fabricar a nova geração do iPad em território brasileiro.

Porém, para se instalar no país, estão sendo necessárias inúmeras mudanças nas políticas na empresa chinesa. Para se adequar às leis de trabalho brasileiras, a fábrica abrirá mão de algumas práticas utilizadas na China.

Em conversas com os sindicatos, o vice-presidente de internacionalização da empresa chinesa, Yao Xing Ming diz estar superando as dificuldades finais para a instalação da fábrica. “Na China não há sindicatos, o governo não deixa. Isso prejudica o avanço do país, faz os empregados ficarem preguiçosos e folgados”, afirmou.

Dentre as exigências feitas pelos sindicalistas, a fábrica chinesa precisará, além de diminuir a atual carga de 18 horas trabalhadas por dia, abolir a bola de ferro acorrentada aos pés dos empregados. Essa prática faz com que, na China, os colaboradores deixem de fugir do seu local de trabalho quando estão executando funções fora de suas jaulas.

Outra medida polêmica que os asiáticos precisaram abrir mão foi do famoso termo anti-suicídio. Na China, ao ser contratado, o empregado precisa assinar esse termo para, caso ele decida acabar com a própria vida, sua função seja imediatamente transmitida para o seu herdeiro mais próximo.

“Falta pouco, muito pouco. Nós cedemos um pouquinho e os brasileiros cederam mais um pouquinho. Concordamos em diminuir as punições com chicote ao máximo que pudemos e, mesmo assim, a produtividade estará garantida na nossa fábrica em Jundiaí”, completou Ming.