Corinthians se muda para Oceania na busca por título inédito

Depois de mais uma decepção na disputa pelo título da Copa Libertadores de América, honra até hoje nunca alcançada na história do clube, o Corinthians já iniciou sua campanha “Rumo a Tóquio 2012”.

A primeira decisão do presidente Andrés Sanchez causou surpresa a toda nação alvinegra do Parque São Jorge: o time irá se mudar para a Austrália, onde tentará pleitear uma vaga no Mundial Interclubes. “O caminho é longo, mas com dedicação, iremos conseguir nossos objetivos”, disse o entristecido Sanchez. “Jogaremos o Campeonato Australiano. Se ganharmos o título nacional, disputaremos o interclubes da Oceania, e aí, se vencermos, teremos garantida nossa participação em um Mundial Interclubes de verdade”, avaliou o presidente.

O interclubes da Oceania é disputado contra times da Austrália, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão, Vanuatu, Micronésia e Kiribati. As Confederações de Tonga e Tuvalu não enviam equipes para a disputa da competição porque seus jogadores não são profissionais.

Por exemplo, se o goleiro, o lateral-direito e o volante do principal time de Tonga viajarem para jogar futebol por mais de dois dias, a ilha certamente sofrerá com a falta de entrega de correspondências e o conserto de canoas.

Parte da comissão técnica já está em Sydney para celebrar a nova residência do ex-clube de Parque São Jorge.

A torcida que se aglomerava na porta do Parque São Jorge, à espera de um comunicado da diretoria de futebol do Corinthians, parece não ter entendido muito bem a proposta do clube. “Eles esperam que a gente se mude junto com o clube para torcer na Austrália? E o que eu faço com o meu negócio de distribuição de marmitas?”, reclamava Juracy Juvenal Jorge, torcedor de uma das organizadas do Corinthians.

Por outro lado, a facção de torcedores profissionais comemorava. “Vai ser ótimo poder largar tudo pra trás e acompanhar o meu clube de coração na Áustria”, disse Jeocleisson da Silva ao confundir o país europeu com a Austrália. “O clube sempre pagou nossas despesas em todas as viagens, não vai ser dessa vez que eles nos deixarão para trás”, comemorava ele, sem saber que os planos do clube são bem menos divertidos.

Como os custos de mudança do time já serão muito elevados, a diretoria não prevê que torcedores acompanhem a equipe gratuitamente. “Nossa idéia é montar um grande telão aqui na Fazendinha e liberar a entrada dos nossos torcedores em dia de jogo. Vai ser fantástico”, afirmou Paulo José Calil, diretor de eventos do Corinthians, sem se importar com o fato de que existem 12 horas de fuso horário entre Brasil e Austrália.

Quando o Corinthians disputar um jogo às 20 horas do horário local de uma quarta-feira, aqui em São Paulo será 8 horas da manhã. “Essa coisa de horário não faz a menor diferença. Torcedor do Corinthians torce pelo clube 24 horas por dia”, disse Calil. “Além disso, eles são como funcionários do clube, que recebem para ir ao estádio.”

Já para os atletas, a mudança ainda precisará ser melhor estudada. “Eu não sei se irei”, afirmou Ronaldo Fenômeno. “Eu conversei com o Romário, que já jogou no Adelaide United, da Austrália, e ele me disse que as churrascarias de lá são muito boas, mas as baladas são bem fraquinhas”, analisou ele.

“Pra piorar, as mulheres australianas não sabem quem eu sou, e isso vai complicar bastante a minha atuação. Aqui eu sou dentuço e gordinho, mas pelo menos as minas sabem que eu sou milionário. Lá as coisas ficam mais difíceis. Acho que vou preferir pensar na minha aposentadoria mesmo”, completou.