Argentina celebra um ano a menos para Rei Pelé

Uma multidão foi às ruas desejar a Pelé poucas felicidades e anos de vida.

A festa foi geral. O povo argentino celebrou neste fim de semana os poucos anos de vida que restam a Pelé.

O Rei do Futebol completou 70 anos nesse sábado com muitas homenagens no Brasil e lembranças por todo o continente, mas foi na Argentina onde a comemoração ganhou dimensões de final de Copa do Mundo.

Cerca de 300 mil pessoas tomaram as ruas de Buenos Aires com vuvuzelas e bandeiras em azul e branco. A versão local de “Parabéns a você” foi entoada em coro, seguida sempre de “Ai ai ai ai, tá chegando a hora…”, cantarolado em castelhano.

Curiosamente, a grande celebração trouxe poucas bandeiras com a imagem de Pelé. A figura do jogador Maradona acabou sendo mais utilizada durante o evento.

A festa anti-Pelé se encerrou no fim da noite com um culto na sede da Igreja Maradoniana. Imagens do brasileiro foram malhadas enquanto os fiéis entoavam cânticos de louvor como Ave Maradona e Diez Nuestro.

O líder da seita, Alejandro Verón, afirmou que os integrantes da Igreja nutrem grande respeito pelo craque brasileiro. “Na nossa principal reza, até mencionamos o Pelé. Estamos muito felizes que, com mais um ano se passando, ele está ficando ainda mais perto do céu”.

Pelé conquistou rancor na Argentina aos 17 anos, quando venceu a Copa de 1958. Quatro anos depois, passou a ser detestado com o Mundial do Chile. Em 1970, o tricampeonato no México foi decisivo para sua crucificação pública e ódio mortal pelos argentinos.

“Honestamente, queremos o pior para ele”, declarou Mario Rodriguez Soriano, jornalista esportivo. “Pelé continua sendo a pior referência para o futebol. Com a expectativa de vida do brasileiro próxima dos 72 anos, com sorte na próxima Copa o mundo terá apenas uma lenda viva do futebol, nosso Dieguito”, justificou Soriano

A falta de importância de Pelé para o futebol argentino foi lembrada ainda em diversos especiais na TV, que repetiu os gols menos bonitos, as jogadas desastrosas e os diversos títulos perdidos.

Os discursos de Pelé foram os únicos que ganharam homenagens positivas. “Ele fala tantas tonterias que isso nos faz lembrar como somos melhores como nação”, comentou Soriano.

Criticados pela imprensa brasileira, muitos argentinos admitem que essa rivalidade deve acabar logo. Os organizadores prometem fazer, no máximo, uma ou duas mais festas. “Depois, é com Deus”, ironizaram.